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  • Rodrigo Eckmann

O que é Esteatose Hepática e 9 fatores de risco!

A esteatose hepática é algo mais comum do que muitos imaginam, estima-se que cerca de 20-30% da população seja acometida pela doença, trata-se de uma patologia silenciosa por geralmente não causar sintomas e representa acúmulo anormal de gordura nas células do fígado (hepatócitos).

Ela pode acometer qualquer faixa etária e ser classificada em doença gordurosa alcoólica do fígado quando há abuso de bebida alcoólica ou doença gordurosa não alcoólica do fígado (DHGNA), quando não existe história de ingestão de álcool significativa, a qual iremos abordar no conteúdo do blog.


É uma doença geralmente benigna e reversível, mas se não tratada ou controlada corretamente, pode provocar inflamação a médio e longo prazo e evoluir para cirrose hepática em alguns pacientes.


Fatores de risco para DHGNA

  1. Sobrepeso ou obesidade responsável pela maioria dos casos, representando cerca 60% dos casos.

  2. Hepatites Virais, sobretudo hepatite crônica pelo vírus C.

  3. Diabetes Mellitus.

  4. Hipertensão arterial.

  5. Alterações dos lípides (Colesterol / Triglicérides).

  6. Medicamentos (esteroides anabolizantes, corticoides, estrógeno, amiodarona, antirretrovirais, diltiazen e tamoxifeno).

  7. Cirurgias abdominais (bypass jejunoileal, derivacão biliodigestiva)

  8. Endocrinopatias (síndrome de ovários policísticos, hipotiroidismo, hipogonadismo)

  9. Outros fatores de risco (síndrome de apnéia do sono, lipodistrofia, abetalipoproteina, deficiência de lipase ácida)


Como diagnosticar a Esteatose Hepática


Para o diagnóstico da DHGNA é importante que os pacientes passem por consulta médica, para que seja feita uma história clínica detalhada, identificando fatores de risco e doenças pré-existentes. O exame físico vai avaliar se há hepatomegalia (aumento do fígado), pressão arterial, peso e altura para determinação do índice de massa corpórea (IMC) e a medida da circunferência abdominal. Hoje sabemos que quanto maior a gordura no abdômen maior deve ser o depósito de gordura no fígado.


Após a avaliação clínica, exames complementares auxiliam no diagnóstico, como exames de laboratório (enzimas hepáticas (TGO e TGP), colesterol total e frações e triglicérides, glicemia, insulina entre outros), exames de imagem (ultrassonografia de abdômen, tomografia computadorizada, ressonância magnética) e em casos selecionados a biópsia do fígado, único exame até o momento capaz de estabelecer o diagnóstico seguro de esteato-hepatite, onde além do acúmulo de gordura existe inflamação hepática.


Há poucos anos foi desenvolvida uma tecnologia para o equipamento de ultrassom, chamado de Elastografia Hepática Ultrassônica, exame indolor, que mede a elasticidade do tecido hepático e a quantidade de gordura acumulada no fígado, além de detectar e estimar eventual fibrose hepática.


Classificação


Grau 1 ou Leve – quando há pequeno acúmulo de gordura no fígado.

Grau 2 ou Moderada – há um acúmulo moderado de gordura.

Grau 3 ou Acentuada – quando ocorre grande acúmulo de gordura.


Tratamento da esteatose hepática


Não existe um tratamento específico para a esteatose hepática. Ele é determinado de acordo com as causas da doença. Consiste em afastar, corrigir ou controlar as possíveis causas, com melhora do estilo de vida, fazer exercícios físicos, re-educação alimentar, dieta equilibrada e redução de peso, além de retirar o uso de álcool ou de medicamentos que possam ser a causa do problema. São raros os casos em que se torna necessário introduzir medicação, e em casos mais graves, quando evoluir para cirrose hepática, o transplante pode ser o único tratamento.


Estágios e prognóstico da Esteatose

O prognóstico pode ser bom, mas depende da fase em que a doença for diagnosticada e principalmente da aderência dos pacientes às condutas clínicas e tratamentos recomendados.


A DHGNA pode permanecer estável por muitos anos no estágio 2 em tonro de 70 a 80% dos pacientes e até regredir para a normalidade, se suas causas forem controladas. Caso as causas, não o forem controladas, a doença pode evoluir para a esteato-hepatite (estágio 3) em 20 a 30% dos casos, fase onde ocorre inflamação, morte celular, fibrose (estágio 4) e tem maior potencial de progressão ao longo dos anos para cirrose (estágio 5) e para o carcinoma hepatocelular (CHC) ou câncer de fígado.


Em resumo, existem dois fatores para um melhor prognóstico, diagnóstico precoce em pacientes com maior risco e aderência dos pacientes às condutas e tratamento, orientadas pelo seu médico.


Dúvidas comuns:

1) Qual especialidade médica que pode me auxiliar no diagnóstico e tratamento da esteatose?

R: Clínico geral, endocrinologista, gastroenterologista e hepatologista.


2) Criança pode ter esteatose?

R: Sim, pacientes de qualquer idade podem ter acúmulo de gordura no fígado, no caso das crianças nos primeiros anos de vida, é causada principalmente por algumas doenças metabólicas. Já nas crianças maiores e adolescentes, as causas são semelhantes às dos adultos. Importante dizer, que o tratamento na infância é de fundamental importância para prevenir danos irreversíveis nos adultos, além da conscientização da criança para hábitos de vida saudáveis.


3) Existe forma de prevenir a doença?

R: Sim, basicamente seria ficar atento às possíveis causas, procure manter o peso dentro dos padrões ideais para sua altura e idade, mas cuidado! Dietas radicais, que provocam emagrecimento muito rápido, podem piorar o quadro. Beba alcoólica com moderação durante a semana e nos fins de semana também. E o mais importante, procure auxílio de um nutricionista para readequadar sua alimentação.



Dr. Rodrigo Velloso Machado Eckmann

Médico Radiologista

Membro Titular do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem

CRM 133.360

RQE 63264

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